sábado, 15 de novembro de 2014

15 de novembro de 1889- Proclamação da República

Hoje no dia da proclamação da República e após tantos e tantos anos que se passaram após a queda do segundo reinado e o início da República da Espada, ainda ouso a usar uma frase épica de Machado de Assis, em seu romance mais político, Esaú e Jacó, em que ele diz:

"Coube a Machado de Assis (1839-1908), em seu penúltimo romance, "Esaú e Jacó" (1904), transformar em ficção os acontecimentos que culminaram na queda da monarquia no Brasil. Com o olhar cético e a ironia de sempre, Machado tratou a proclamação como fez as "Memórias Póstumas de Brás Cubas": com "a pena da galhofa e tinta da melancolia".

O cerne do que pensava o escritor sobre a proclamação pode ser resumido em uma passagem célebre, batizada pela crítica como o episódio da "tabuleta do Custódio" (leia texto abaixo). Dono da "Confeitaria do Império" há mais de 30 anos, Custódio manda, depois de muita relutância, reformar a tabuleta que leva o nome de sua loja. "Estava rachada e comida de bichos. Pois cá de baixo não se via", diz o doceiro. A alusão ao império é óbvia. Um regime comprometido e sem base de sustentação que ruiu sem manifestação popular, "pois cá de baixo não se via".

Às vésperas da inauguração da nova tabuleta, Custódio ouve rumores da revolução e "vagamente da república". Manda um bilhete ao pintor com o seguinte recado: "Pare no d.". Não sabia se era melhor concluir a pintura com a palavra Império ou República. O bilhete chega tarde e Custódio, "um simples fabricante e vendedor de doces e, principalmente, respeitador da ordem pública", vai ao desespero. Além de perder dinheiro, ainda punha em perigo "seus deliciosos pastéis de Santa Clara" e a própria vida. Pensa em adotar a palavra república na tabuleta, mas volta atrás: "se daqui um ou dois meses houver nova reviravolta, fico no ponto em que estou hoje, e perco outra vez o dinheiro."
Machado de Assis arranca o riso do leitor ao reduzir a proclamação da república a mera troca de tabuletas, questão de enfeite mais do que de substância. Mas não é só a farpa irônica contra o novo regime que faz de seu livro um dos momentos mais finos da literatura brasileira. Seu protesto é menos tímido e põe o dedo na ferida que interessa." – in: http://almanaque.folha.uol.com.br/machado3.htm



É claro que nos últimos dez anos, a republica brasileira nos governos Lula e agora Dilma, vem buscando as reformas sociais, políticas e econômicas que em conjunto diminuíram o índice da pobreza e através de suas políticas sociais, como o bolsa família, nossa casa nosso teto, PROUNI e estc.., vem ao menos contrariar a tese machadiana mas enquanto não houver cidadania plena e a participação popular não for ativa e sim representativa, teremos portas e placas sendo abertas, invadidas e retiradas por outras que somente mudam de nome.

Mas deixemos de ceticismo e vamos encarar a realidade que ainda não é a ideal, mas estamos com a reeleição de Dilma NO CAMINHO CERTO.

Uma boa noite a todos



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